quarta-feira, 25 de maio de 2011

Poesia de Farmácia

Era uma vez um poema na montra de uma farmácia.
 Que fará uma farmácia destas pelos seus doentes, pelos desvalidos deste mundo? 
Curará ressacas da existência? Venderá aspirinas para alma?
 Tem alguma coisa para retardar o envelhecimento das causas e um antidepressivo para as consequências? 
Haverá algum bálsamo para o coração, um creme para mãos entrelaçadas, um analgésico para versos doridos?
 Será que tem uma balança para pesar a imaginação e vitaminas para os sonhos? Terá rebuçados para expectativas gripadas, dias amargos? 
Onde guardarão eles as injecções de adrenalina? E o paracetamol, quantas doses para coração duro e peito feito?
 E as bulas, indicam a posologia certa da entrega em casos de alergia à saudade? Não esquecer: dois poemas às refeições e palavras certas até ao fim da embalagem. Não tem efeitos secundários, se exceptuarmos os instintos primários